domingo, 15 de dezembro de 2013

Historinha

Quando eu era adolescente, ouvia histórias sobre "lobos-maus", aqueles caras que prometem mundos e fundos só para conseguir "comer a chapeuzinho".
Little red hiding hood, de Erik Van Elven

O tempo passou. E hoje em dia não tem mais historinha. Os caras chegam e dizem: "Quero te levar pra cama." Nem sempre com palavras tão polidas, e muitas vezes sem qualquer discurso.
Registrando o último argumento do qual tive notícia:
- "O tempo voa e você já não é mais tão jovem."
Ou seja, já que sou a "vovozinha", não preciso ponderar. É pegar ou largar!

Cabe à garota/moça/mulher decidir o que quer. Sexo casual?
A vida é feita de opções e hoje em dia elas são muitas.
Mas nada de reclamar de superficialidade depois.
E nem de se iludir com a possibilidade de ele se apaixonar pelos seus lindos olhos tão grandes...

Mais figuras de Erik Van Elven? Visite: erikvanelven.blogspot.com.br 

sábado, 30 de novembro de 2013

Faz-de-conta

Um dia, sem que se espere, há de se encontrar aquele alguém.
Nem príncipe nem sapo. Só gente.
Com suas virtudes e defeitos, carne, ossos, sentimentos.
E disposição de viver! Não ficar só no acostamento, e sim se arriscar na rodovia.
E naquele encontro - mesmo que inconsciente naquele instante - ele abrirá um sorriso como quem diz: "Pronto, cheguei!"

sábado, 23 de novembro de 2013

Ah, as ondas...

A beleza do mar vem das ondas.
Se ele está parado, vemos seu fundo, boiamos...
Mas em certo momento, se permanece assim, vira marasmo.
E sem as ondas, fica difícil voltar para a beira, para a areia, para a terra firme.

Com e nas ondas, brincamos com seus altos e baixos.
Em marolas mergulhamos, nos refrescamos.
As danadas às vezes nos tiram do eixo, nos dão "caldo" ou "caixotes"...

Se a terra treme, o mar responde com ondas gigantes, tsunamis,
levando tudo que encontram pela frente:
construção, vegetação, gente, vida...

Mas, uma vez no mar...
E quando a onda é inesperada, porém de um tamanho normal... o que fazer?
Ficar imóvel é impossível, insensato, imprudente.

Foto: Marcio Alonso Sana. Fonte:Cena Surf
Ela vem vindo, se aproximando rápido, aumentando em volume, em proporção...
Sair correndo para a areia, para onde se sabe como ficar de pé?
Ou encarar com humildade sua majestade?
"Furar" ou nadar com ela, se arriscar?
Não conheço a resposta.
Só sei que Caymmi sabe mesmo das coisas.
O mar é realmente lindo quando quebra na praia...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Consciência

Sou descendente de negros, brancos, índios, mestiços...
Sou descendente de gente!
Sei que é necessário não esquecer que pessoas foram oprimidas, injustiçadas, ultrajadas.
Pela sua origem, por sua cor de pele, por sua religião, por sua orientação.
Impedir que algo semelhante volte a acontecer nos dias de hoje é ponto pacífico.

Mas acho triste ter que manter 20 de novembro, 19 de abril, 13 de maio, 8 de março...
Gostaria que tivéssemos consciência os 365 dias, que só tivéssemos motivos para comemorarmos como raça humana.
Pena estarmos longe disso.

Fonte da foto: blog de Ricardo Setti

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Thor 2

Marvel detona. Ponto.
Mas Thor, ou melhor, Chris Hemsworth...
Devia pagar imposto por excesso de beleza!
Acham que eu exagero? Tirem suas conclusões.



Não sei vocês. Mas ele tira a camisa, e eu o chapéu!

Mais fotos do filme? Visite a fonte: http://screencrush.com/thor-2-trailer-screencaps-dark-world/


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O que são 10 anos?

O que são 10 anos?
Uma vida ou um piscar de olhos?
Um "Parece que foi ontem!" ou um "Foi há tanto tempo..."?

No cronograma de projetos de 10 anos, há vários ajustes: raramente se consegue realizar o que foi planejado da maneira original. Mas e daí? Realizam-se outras coisas, outros projetos são iniciados, aprende-se com os erros, valorizam-se coisas e pessoas que talvez não chamavam a atenção antes.

Dez anos se foram, e o plano não é mais o mesmo.
O mais importante é não ficar preso no passado.
É investir no presente. Planejar sim, relembrar com carinho, mas nunca às custas do hoje.
Porque recordar é bom, mas não é viver.
Viver? Viver é muito melhor!

domingo, 29 de setembro de 2013

Pense e aja

"Movimento é vida!"
Escutei num filme que vi há uns meses.

Aí lembrei de uma estorinha que escutei há muitos anos, sobre um cachorro que uivava, sofria, mas não saía do prego onde estava sentado. Porque, afinal, só doía o flanco quando ele se mexia...

Ficar "sentada no prego" nunca foi meu forte. Prefiro encarar os fatos, resolver problemas, do que fingir que eles não existem; ou então, esperar que eles se solucionem como milagres. Sei que algumas coisas se dissolvem sozinhas, como que por encanto. Mas não sou do tipo que permanece aguardando a intervenção divina, por mais que eu tenha fé.

Mas nada de decisões por impulso.
Ponderar com lucidez, nunca com insensatez.



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Vestido de sonho

Alguém me convida para uma festa onde eu possa usar esse vestido? (Sonho meu...)

Fonte: Constance Zahn Casamentos

sábado, 7 de setembro de 2013

O que vale é...

Hilda, a pin up gordinha de Duane Bryers
Fui magra até os 35.
Após dar à luz, não voltei à minha antiga silhueta.
Ouvi coisas inimagináveis, passei por um sem número de situações desconcertantes.
"Ah, depois da amamentação você volta ao antigo corpo".
"Dois anos e você entra novamente em suas antigas roupas!"
"Fulano, você não vai adivinhar quem é essa aqui! É Márcia! Olha como ela ficou gorda!"

A sociedade massacra quem não segue o padrão.
Falam tanta coisa à sua volta, somos tão bombardeados com a ditadura da magreza...
Sempre fui "cabeça-feita", mas também acabei cedendo.
Sim, me arrependi de uma decisão recente.
O resultado será satisfatório. Mas o preço que se paga, o risco que se corre...

Será que vale à pena?
Quero ser saudável, quero emagrecer, mas não vou ficar neurótica com isso.
Mais vale ser feliz!


Leia mais sobre Hilda em Iconoclastia Incendiária.



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"365 dias no Rio" - texto de Rica Perrone

"E então eu parei o carro, puxei o freio de mão e pensei: “Cheguei em casa”.

Faz 1 ano. Desembarquei com esposa, cachorro e umas malas. A mudança veio no dia seguinte. Levei 33 anos imaginando “como seria”, e agora tenho 1 pra contar “como foi”.

O Rio de Janeiro é a minha Paris. Eu não sonho com a tal de torre, nem me importo com o Louvre e nem acho do cacete tomar café naquela tal de Champs-Élysées. Eu acho charmoso ir a praia de Copacabana, tomar cerveja de chinelo no leblon e ir a um samba numa grande escola.

Sou paulista, nunca tive rivalidade bairrista em casa. Nunca me ensinaram a odiar o estado vizinho, ao contrário, sempre me foi dada a idéia de que estando no Brasil, estou em casa.

Ouvi mil mentiras e outras mil verdades sobre o Rio enquanto morei em São Paulo. Todas justas no final das contas.

Carioca exagera tudo, pra baixo e pra cima. Se elogiar a praia, ele exalta dizendo que é “a melhor praia do mundo”. Se falar que é perigoso, ele não nega. Diz que é “perigoso pra caralho”.

Trata sua cidade como filho. Só ele pode falar mal.

Cariocas não marcam encontro. Simplesmente se encontram.

A confirmação de um convite aqui não quer dizer nada. Você sugere “Vamos?”, eles dizem “Vamo!”. O que não implica em ter aceitado a sugestão.

Hora marcada no Rio é “por volta de”. Domingo é domingo. E relaxa, irmão. Pra que a pressa?

Em 5 minutos são amigos de infância, no segundo encontro te abraçam e já te colocam apelidos.

Não te levam pra casa. Te convidam pra rua. É curioso. Mas é que a “rua” aqui é tão linda que se trancar em casa é desperdício.

Cariocas andam de chinelo e não se julgam por isso. São livres, desprovidos de qualquer senso de sofisticação.

Ao contrário, parecem se sentir mal num ambiente formal e de algum requinte.

“Porra” é um termo que abre toda e qualquer frase na cidade. Ainda vou a uma Igreja conferir, mas desconfio que até missa comece com “Porra, Pai nosso que estais…”.

Cariocas são pouco competitivos. Eu acho isso maravilhoso, afinal, venho da terra mais competitiva do país. E confesso: competir o tempo todo cansa.

Acho graça quando eles defendem o clube rival pelo mero orgulho de dizer que “o futebol do Rio” vai bem. Eles nem notam, mas as vezes se protegem.

Eles amam essa porra. É impressionante.

Carioca é o povo mais brasileiro que há, mas que é tão orgulhoso do que é que nem parece brasileiro.

Tem um sorriso gostoso, um ar arrogante de quem “se garante”.

Papudos, malandros, invocados. Faaaaalam pra cacete. E sabem que estão exagerando.

Eles acham que sabem o que é frio. Imagine, fazem fondue com 20 graus!

A Barra é longe. Buzios, logo ali!

Niterói é um pedaço do Rio que eles não contam pra turista. Só eles aproveitam.

Nilópolis é longe. Bangu também.

Madureira é um bairro gostoso. O Leblon, vale os 22 mil por metro quadrado sugeridos pelos corretores.

Aliás, corretores no Rio são bem irritantes.

Carioca, num geral, acha que está te fazendo um favor mesmo se estiver trabalhando. É tudo absolutamente pessoal, informal.

Se ele gostar de você, te atende bem. Se não, não.

Tá com pressa? Vai se irritar. Eles não tem pressa pra nada.

Sabe aquela garota gostosa que sabe que é gostosa? Cariocas sabem onde moram.

O bairrismo deles é único. Nem separatista, nem coitadinho. Apenas orgulhoso. Ao invés de odiar um estado vizinho, o sacaneiam e se matam de rir de quem se ofende.

Cariocas tem vocação pra ser feliz.

São tradicionais, não gostam que o mundo evolua. Um novo prédio no lugar daquele casarão antigo não é visto como progresso, mas sim com saudades.

São folgados. Juram ser o povo mais sortudo do mundo.

E quem vai dizer que não?

No Rio você vira até mais religioso. Aquele Cristo te olha todo santo dia, de braços abertos. Não dá! Você começa a gostar do cara…

E aí vem a sexta-feira e o dom de mudar o ambiente sem mexer em nada. O Rio que trabalha vira uma cidade de férias. As roupas somem, aparecem os sorrisos a toa, o sol, o futebol, o samba, o Rio.

Já ouvi um cara me dizer um dia que o “Rio é uma mentira bem contada pela mídia”. Ele era paulista, odiava o Rio, jamais tinha vindo até aqui.

E é um cara esperto. Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele.

É a única maneira de manter sua opinião.

Em quase toda grande cidade que vou noto uma força extrema para fazer o turista se sentir em casa. Um italiano em São Paulo está na Itália dependendo de onde for. Um japones, idem. Um argentino vai a restaurantes e ambientes argentinos em qualquer grande cidade.

No Rio de Janeiro ninguém te dá o que você já tem. Aqui, ou você vira “carioca”, ou vai perder muito tempo procurando um pedaço da sua terra por aqui.

Não é verdade que são preconceituosos. É preciso entender que o carioca não se diz carioca por nascer aqui. Carioca é um perfil.

Renato, o gaúcho, é um dos caras mais cariocas do mundo.

Tem todo um ritual, um jeitinho de se aproximar.

Chame o garçom pelo nome, os colegas de “irmão”. Sorria, abrace quando encontrar. Aceite o convite, mesmo que você não vá.

Faça planos para amanhã, esqueça-os 10 minutos depois. Faça amigos, o máximo de amigos que conseguir.

Quanto mais amigos, mais cerveja, mais risadas, mais churrascos, mais carioca você fica.

E quanto mais carioca você é, mais você ama o Rio. Como eles.

Gosto deles. Gosto de olhar pra frente e não ver onde acaba. Gosto de sol, de abraço, de rir muito alto e de não me achar um merda por estar sem grana.

Gosto de como eles se viram. Gosto da simplicidade e da informalidade que os aproxima do amadorismo.

A vida não tem que ser profissional.

Tem que ser gostosa.

E de gostosa, convenhamos, o Rio tá cheio.

Ops! Desculpa, amor! Escapou.

abs, merrrrmão!"


Blog do Rica Perrone