domingo, 31 de janeiro de 2016

Da empatia

No Dicionário InFormal, empatia significa "Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias.

Nunca tive dificuldade em ser empática. Desde pequena fui ensinada a imaginar como me sentiria se eu estivesse no lugar de outro indivíduo. A mensagem dos meus pais era: o que você não quer para você, não faça para outrem.

Infelizmente, o tema ainda é mal interpretado atualmente. Muitos não conseguem ou nem tentam exercitar a empatia. Em contrapartida, há alguns que, de tanto se colocarem na posição do "outro", têm dificuldade em ocupar seu próprio espaço. Em assumir suas vontades, suas crenças, suas opções. Em perceber limites. Muitas vezes, suas limitações.

O que eu acho? Para ser humilde não é preciso se humilhar, ou permitir ser humilhado. Respeite para ser respeitado, sempre... Isso inclui respeitar-se também!

Ser empático não significa abandonar sua personalidade para agradar a terceiros. Significa a capacidade de se colocar no lugar do próximo, não a habilidade de se anular. Aliás, isso nem habilidade é...
Figura: Recursos Coaching y PNL

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Minhas avós, aquelas feministas

Carmem e Áurea nasceram no início do século XX, por volta de 1920.

Uma vivia em um sítio com a família, quando então resolveram migrar para o interior do Rio de Janeiro, para uma humilde e pequena propriedade; roça também. Quando criança aprendeu sobre ervas, conhecimento passado entre gerações. Tinha um sonho: virar enfermeira! Cuidar das pessoas. Seu pai permitiu que ela cursasse apenas até a terceira série. “Para quê uma mulher precisa estudar?”. Casou-se com seu único amor. À primeira vista se apaixonou, costumava contar com um sorriso nos olhos.

A outra conheceu as mazelas da fome ainda criança nas praias de Salvador. Filha de um português que dava mais valor a seu casamento com a bebida que com a própria esposa, uma cabocla. Para tentar mudar o presente de sofrimento e um futuro de incertezas, sua mãe a casou aos 15 anos com um homem que era respeitado nas redondezas. Detalhe: o “respeitável” a comprou, como era costume na Bahia naquela época. Não conformada com sua história, não cedeu a seu dono, digo, marido. Dormia com um facão embaixo do travesseiro, caso ele tentasse ter à força o que “era seu por direito”. Afinal, havia pagado, não é mesmo? Havia casado, inclusive! Como tinha medo daquela onça, ele a mantinha trancada num quarto, e pagava a uma vizinha para alimentá-la. Carmem também tinha um sonho: ser livre! E sua liberdade estava no Rio de Janeiro, tinha certeza. Na primeiríssima oportunidade, fugiu. Escondeu-se num navio da Marinha Mercante. Só a descobriram após três dias, já em alto mar. Depois de tudo, confiaria em algum daqueles marujos? Por certo que não!

Já Áurea, que desde cedo teve melhor sorte, casou-se com seu “Romeu”. Como o bom marido que era, não permitia que ela trabalhasse. Dava a ela tudo o que precisava. De comida a tecido para fazer roupas. Dinheiro? Para quê? Ele mesmo comprava tudo! Eram pobres, mas nunca faltou comida. Quando os filhos cresceram, ela pode começar a fazer alguns serviços na casa de conhecidos, para ter seu próprio “vintém”. Que era gasto em casa, para complementar a renda da família.

Para resumir a história da baiana, ela foi morar com um gaúcho, viúvo, 30 anos mais velho que ela. Ele havia ficado com pena daquela menina assustada que parecia uma fera em seu navio. Um dos tripulantes - Santo homem! - conseguiu convencer a ambos que o melhor era que ficassem juntos. E assim enfrentaram a família dele, tradicional. Ele não tivera filhos no primeiro casamento, nem havia constituído um patrimônio. A menina-onça resolveu essas questões: tiveram 5 herdeiros, e ela construiu para ele seu império, fazendo a administração dos bens que foram adquirindo ao longo dos anos. Quando enfim constataram que ela era realmente séria, a aceitaram. E ela pode então buscar sua mãe e irmãos, resgatando-os daquela vida de infortúnios.

Carmem e Áurea não queimaram sutiãs em praça pública; eram conservadoras, religiosas. E apesar de tudo, ambas foram mulheres a frente de seu tempo. Mesmo vivendo sob o jugo de uma sociedade que via a mulher como adorno, como uma simples costela do homem, não propagaram esse conceito para suas filhas, netas, e até mesmo noras. Pelo contrário! “Estude! Tenha seu dinheiro! Não dependa de homem algum!” Era o discurso daquelas... feministas?


domingo, 18 de outubro de 2015

The only way is...

Up!


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Queridas palavras

Palavras, aproximem-se!
Me ajudem a descrever este nó, esta nuvem difusa...
Este olhar perdido, estas lágrimas que parecem querer rolar, mas que se seguram atrás de um sorriso digno de Globo de Ouro.

Sejam amigas e brotem, palavras.
Do cérebro para as mãos, dos dedos para a caneta e então para o papel...
E tornem-se frases.
Congreguem-se em parágrafos. Unam-se!
Tenham nexo.

Traduzam o sentido, pois é só o que vocês - doces, ternas, ou amargas palavras - podem fazer.
Pois o sentimento... este é só meu...


domingo, 9 de agosto de 2015

Não basta ser...

O meu pai me levava para passar o dia inteiro na praia nas férias dele.
Aos domingos de manhã, alternávamos praia e parque. Com direito a tombos de balanço ("Mais alto, paiê!") e "laranjinhas".
Quando estava em casa, fazia penteados de princesa para eu ir a escola.
E eu me sentia mesmo a Grace Kelly...

Ele era forte, era bravo, e meus amigos morriam de medo do "cara que ensinou o He-Man a malhar".
Se zangava com cada grito, e reclamava do "escândalo" por causa de uma simples barata, mas sempre vinha com o chinelo na mão para acabar com o monstro (!), mesmo que tivesse que levantar de madrugada para isso.

Antes dos 18 não me deixava dormir na casa das colegas, mas ia comigo a festas dos meus amigos.
No vestibular, ficava as quatro horas de prova do lado de fora, esperando a nerd sair.
"Foi bem?", perguntava com um sorriso no rosto e brilho nos olhos.
Ele ia comigo a shows de rock, a princípio a contra-gosto.
Depois virou fã de Bon Jovi, Titãs, Sepultura...

O meu pai casou cedo. Uma criança grande!
E cometeu muitos, muitos erros, porque ninguém é perfeito.
Mas ele fazia batata frita e limonada de pulso sempre que pedíamos.
E fazia performances e dublagens engraçadas só para ouvir nossas gargalhadas.
E dava conselhos inteligentes e diretos, mesmo que parecessem críticas.
Ele sempre foi a referência de PAI, tipo daqueles comerciais que dizem que "tem que participar".
E ele participou de tudo. E ainda participa!

Há tantos outros momentos que não lembro, histórias que me contam...
Como a diversão em escorregar como golfinhos na área molhada da lavanderia dos fundos de casa, eu com 1 ano, ele 20 e poucos...

E agora, ele está prestes a completar 70!
Não mais tão forte, não mais tão bravo, porém mais engraçado, mais sábio, e mais amado por todos que o cercam.
Principalmente por mim!
Feliz cada dia da sua vida, feliz dia dos pais!


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Sensação x sentimento

Figura: Estrunfinices.
"Nunca senti nada parecido..."
Quatro palavras simples.
Que ao serem ouvidas bagunçam a cabeça de qualquer tímido e inseguro do planeta.

Quando nos beijamos, o que sentes?
Meus lábios ansiosos por matar a saudade?
Ou o sabor de todo o carinho que tenho por você?

Quando me abraças, sentes o mesmo que eu?
Um tipo de calma percorrendo todo o corpo, como estar num ninho?
O calor do aconchego?

Porque eu também nunca senti nada parecido.
E não me refiro apenas ao básico, às sensações.
Sou remetida ao significado de cada toque.
À tradução do gesto, do olhar, do som da tua voz.
Ao sentimento que esse conjunto transmite.

Por isso, como o nosso português não é bom o suficiente para deixar claro...
Espero que o "sentir" da frase que você me disse possa ser traduzido como "to feel".
E não como apenas "to sense".
Because to feel means so much more...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sodade

"Até dia qui bô voltà..."

Cesária Évora se expressa por mim...

terça-feira, 16 de junho de 2015

Hoje assim

Imagem de Esmeralda Cosanostra

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sobre passar o dia dos namorados sozinho(a)

Dia dos namorados....
Taí um dia emblemático!
Ninguém te perturba se você não é mãe no dia das mães, ou não é pai no dia dos pais.
Mas se não tiver um alguém no dia dos namorados... Pronto!

Curioso é ver a reação dos sozinhos a esta data.
Li mensagens de todo tipo: emocionantes, engraçadas, umas sem noção e até mesmo algumas revoltadas.

Não é porque não tenho uma cara metade que vou tocar fogo no circo.
Já tive um amor para toda a vida, cujo relacionamento não foi tão longo quanto o prometido.
E os breves como uma brisa, que pareciam vendavais a princípio.
Sei o quanto é bom se sentir querido por AQUELA pessoa. Aquele cara especial.
Aquela sensação de ficar alerta porque o telefone tocou, porque a mensagem chegou, porque está perto do momento de encontro. Tão super!

Porém cupido às vezes erra feio. Acerta a flecha em um e não no outro.
Já estive em ambos os lados: do que sofre e do que faz sofrer.
É... quando Eros erra... uma pena...
Lamento também pelos que se agarram a qualquer amostrinha de afeto, apenas para não se sentirem sozinhos.
Não, obrigada!

Este dia serve para relembrar o quanto relacionamento saudável é bom.
Como é gostoso se sentir correspondido. Entregar seu coração sem medo de que ele seja partido.
Ter esperança!

Por isso, me alegro em ver todos os recadinhos fofos, as demonstrações explícitas de carinho de casais que se querem bem.
Para todos que se amam, quer estejam no inicinho de um caso ou num casamento de anos, desejo um dia cheio de harmonia, pleno de alegria, repleto de amor!

Figura: Mãos Dadas (O Quarto de Katarina).


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mais o chocolate