segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"365 dias no Rio" - texto de Rica Perrone

"E então eu parei o carro, puxei o freio de mão e pensei: “Cheguei em casa”.

Faz 1 ano. Desembarquei com esposa, cachorro e umas malas. A mudança veio no dia seguinte. Levei 33 anos imaginando “como seria”, e agora tenho 1 pra contar “como foi”.

O Rio de Janeiro é a minha Paris. Eu não sonho com a tal de torre, nem me importo com o Louvre e nem acho do cacete tomar café naquela tal de Champs-Élysées. Eu acho charmoso ir a praia de Copacabana, tomar cerveja de chinelo no leblon e ir a um samba numa grande escola.

Sou paulista, nunca tive rivalidade bairrista em casa. Nunca me ensinaram a odiar o estado vizinho, ao contrário, sempre me foi dada a idéia de que estando no Brasil, estou em casa.

Ouvi mil mentiras e outras mil verdades sobre o Rio enquanto morei em São Paulo. Todas justas no final das contas.

Carioca exagera tudo, pra baixo e pra cima. Se elogiar a praia, ele exalta dizendo que é “a melhor praia do mundo”. Se falar que é perigoso, ele não nega. Diz que é “perigoso pra caralho”.

Trata sua cidade como filho. Só ele pode falar mal.

Cariocas não marcam encontro. Simplesmente se encontram.

A confirmação de um convite aqui não quer dizer nada. Você sugere “Vamos?”, eles dizem “Vamo!”. O que não implica em ter aceitado a sugestão.

Hora marcada no Rio é “por volta de”. Domingo é domingo. E relaxa, irmão. Pra que a pressa?

Em 5 minutos são amigos de infância, no segundo encontro te abraçam e já te colocam apelidos.

Não te levam pra casa. Te convidam pra rua. É curioso. Mas é que a “rua” aqui é tão linda que se trancar em casa é desperdício.

Cariocas andam de chinelo e não se julgam por isso. São livres, desprovidos de qualquer senso de sofisticação.

Ao contrário, parecem se sentir mal num ambiente formal e de algum requinte.

“Porra” é um termo que abre toda e qualquer frase na cidade. Ainda vou a uma Igreja conferir, mas desconfio que até missa comece com “Porra, Pai nosso que estais…”.

Cariocas são pouco competitivos. Eu acho isso maravilhoso, afinal, venho da terra mais competitiva do país. E confesso: competir o tempo todo cansa.

Acho graça quando eles defendem o clube rival pelo mero orgulho de dizer que “o futebol do Rio” vai bem. Eles nem notam, mas as vezes se protegem.

Eles amam essa porra. É impressionante.

Carioca é o povo mais brasileiro que há, mas que é tão orgulhoso do que é que nem parece brasileiro.

Tem um sorriso gostoso, um ar arrogante de quem “se garante”.

Papudos, malandros, invocados. Faaaaalam pra cacete. E sabem que estão exagerando.

Eles acham que sabem o que é frio. Imagine, fazem fondue com 20 graus!

A Barra é longe. Buzios, logo ali!

Niterói é um pedaço do Rio que eles não contam pra turista. Só eles aproveitam.

Nilópolis é longe. Bangu também.

Madureira é um bairro gostoso. O Leblon, vale os 22 mil por metro quadrado sugeridos pelos corretores.

Aliás, corretores no Rio são bem irritantes.

Carioca, num geral, acha que está te fazendo um favor mesmo se estiver trabalhando. É tudo absolutamente pessoal, informal.

Se ele gostar de você, te atende bem. Se não, não.

Tá com pressa? Vai se irritar. Eles não tem pressa pra nada.

Sabe aquela garota gostosa que sabe que é gostosa? Cariocas sabem onde moram.

O bairrismo deles é único. Nem separatista, nem coitadinho. Apenas orgulhoso. Ao invés de odiar um estado vizinho, o sacaneiam e se matam de rir de quem se ofende.

Cariocas tem vocação pra ser feliz.

São tradicionais, não gostam que o mundo evolua. Um novo prédio no lugar daquele casarão antigo não é visto como progresso, mas sim com saudades.

São folgados. Juram ser o povo mais sortudo do mundo.

E quem vai dizer que não?

No Rio você vira até mais religioso. Aquele Cristo te olha todo santo dia, de braços abertos. Não dá! Você começa a gostar do cara…

E aí vem a sexta-feira e o dom de mudar o ambiente sem mexer em nada. O Rio que trabalha vira uma cidade de férias. As roupas somem, aparecem os sorrisos a toa, o sol, o futebol, o samba, o Rio.

Já ouvi um cara me dizer um dia que o “Rio é uma mentira bem contada pela mídia”. Ele era paulista, odiava o Rio, jamais tinha vindo até aqui.

E é um cara esperto. Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele.

É a única maneira de manter sua opinião.

Em quase toda grande cidade que vou noto uma força extrema para fazer o turista se sentir em casa. Um italiano em São Paulo está na Itália dependendo de onde for. Um japones, idem. Um argentino vai a restaurantes e ambientes argentinos em qualquer grande cidade.

No Rio de Janeiro ninguém te dá o que você já tem. Aqui, ou você vira “carioca”, ou vai perder muito tempo procurando um pedaço da sua terra por aqui.

Não é verdade que são preconceituosos. É preciso entender que o carioca não se diz carioca por nascer aqui. Carioca é um perfil.

Renato, o gaúcho, é um dos caras mais cariocas do mundo.

Tem todo um ritual, um jeitinho de se aproximar.

Chame o garçom pelo nome, os colegas de “irmão”. Sorria, abrace quando encontrar. Aceite o convite, mesmo que você não vá.

Faça planos para amanhã, esqueça-os 10 minutos depois. Faça amigos, o máximo de amigos que conseguir.

Quanto mais amigos, mais cerveja, mais risadas, mais churrascos, mais carioca você fica.

E quanto mais carioca você é, mais você ama o Rio. Como eles.

Gosto deles. Gosto de olhar pra frente e não ver onde acaba. Gosto de sol, de abraço, de rir muito alto e de não me achar um merda por estar sem grana.

Gosto de como eles se viram. Gosto da simplicidade e da informalidade que os aproxima do amadorismo.

A vida não tem que ser profissional.

Tem que ser gostosa.

E de gostosa, convenhamos, o Rio tá cheio.

Ops! Desculpa, amor! Escapou.

abs, merrrrmão!"


Blog do Rica Perrone

domingo, 25 de agosto de 2013

Do brilho da chama



Pessoas são chamas acesas.
Algumas, hão de cintilar para sempre, mesmo depois de partirem.
Outras, infelizmente, deixam sua luz apagar.
Hoje triste. Porque sinto que uma deixou de brilhar em mim.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ai, que sonho...


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Primeiros

Jamais tomo decisões baseada em primeiras impressões.
Compro o livro pela capa, sim. Mas só o julgo depois de lê-lo.
Não acredito em amor à primeira vista.
Pode ser que haja uma atração instantânea, uma fagulha, um início. Só isso.
Não dá para prever o tamanho do incêndio apenas com a chama no fósforo.

Primeiro beijo, primeiro olhar, primeiro emprego, primeiros erros.
Primeiros servem como norte, como base, como lembranças.
Sentimentos são construídos com o ouvir, com o perceber, com o encantar.
Primeiros contatos apenas abrem portas ou janelas.
Te dão uma ideia do que pode existir; não a experiência, não o sentir.
A visão é limitada quando espiamos.
Para conhecer é preciso cruzar o portal, dar um passo a mais.
E depois decidir se vale à pena ir adiante.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Caros

Caros

Colo de mãe.
Palavra de pai.
Ombro amigo.
Abraço terno.
Sorriso sincero.
Amor incondicional.
Saúde de ferro.
Riso solto.
Cabeça fria.
Coração em paz.



As coisas mais caras não têm preço, só o valor que lhes atribuímos.

Valorize a vida.
Valorize os seus!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Seja o amigo que você quer ter

Muita gente reclama no atual muro das lamentações (vulgo Facebook...rs) da falta de amizade hoje em dia.
Resolvi repensar, rever meus critérios para chamar alguém de "amigo".
E aí me dei conta que eu estava olhando pelo ângulo menos favorável:
é mais fácil se eu revisar se EU "cumpro as especificações"!
Fonte: cre6-rjrj.blogspot.com.br/2011_08_05_archive.html

E então decidi.
Hoje vou procurar meus amigos.
Mandar um alô, escrever uma mensagem...
Fazer qualquer coisa que os lembre que eu estou aqui, pertinho, mesmo que a quilômetros de distância.
Dar-lhes certeza de que podem contar comigo sempre que precisarem.
Fazê-los sentir-se queridos, pois eles são mesmo.
Jamais vou conseguir retribuir toda a alegria e carinho que me deram, mas posso tentar!

E se você não receber notícias minhas hoje, saiba que não é ingratidão, ou esquecimento.
É que, por mais um dia, me deixei levar pelo turbilhão da rotina.
Mas você, caro(a) amigo(a) que faz parte da minha história, jamais sai do meu coração.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Novos "quereres"

Um dia me perguntaram: "O que você quer?", como se eu não soubesse.

Respostas, tenho até para as perguntas que não fiz.
Fonte: liliabreu.no.sapo.pt/1.bmp
O que sabia e sei, o que constato,
é que o que quero, ou o que eu tinha como certo, terei que esquecer.
"Abra mão, let it go!"
Não desisto, porém não insisto. Não sou tonta, apesar de parecer.

Despeço-me do que eu queria sem mágoas nem remorsos.
Do que eu já quis um dia, a maior parte realizei. Sou grata e reconheço.

Preciso então de novos quereres.
De novas vontades.
De novos olhares, e de novas questões.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

"Smile", de Robert Frost

Em uma das primeiras aulas que tive quando entrei no Pedro II - "ontem", em 1983...rs - conheci o poema "Smile", que jamais esqueci.

Não tenho mais o livro de inglês (que acho que era da Cordélia Canabrava Arruda), mas lembro que o nome do autor do poema era Robert Frost.

Procurando na net, descobri que foi um famoso escritor americano, ganhador de dois Pulitzer. Achei o texto, mas infelizmente não citaram a fonte; disseram que era de um escritor anônimo.

Para mim, é do Robert Frost. E ponto!
Abaixo, o poema. Leiam. E sorriam!

Beijos, aproveitem o feriadão!
(link da imagem)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Smack!

Adoro bocas...

Quem acha que sabe de quem são as daí de baixo?
2

1

4

3
6

5
7
8



10
9

E aí, acertaram todas?
Beijo!
(Respostas ao clicar no número da foto)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Faltando um pedaço

Em abril fez dois anos que perdi uma parte do meu coração.
Achei que logo ele se reconstruiria,
que - como uma estrela-do-mar - se refaria...
Bastaria dar tempo ao tempo!

Ao tempo, dei tempo...
Ao que restou do meu coração, esperança.
Depois, dúvida.
E então a desilusão...

Esse pedaço amputado do coração, extirpado, de mim arrancado...
Recuperado sei que não será.
Preencher o espaço vazio... Como assim? O pedaço não mais está!
Foi-se! O perdi!

Lágrimas? Para quê?
Terei que me adaptar, aprender a viver com o que dele sobrou, pois não existe um "transplante".
Na verdade, já aprendi a conviver com esta ausência...
Como se esta falta fosse uma distante presença, porém uma presente lembrança.

Sou feliz com a fração que comigo ficou, e acredito que - Sim! - a usarei bastante.
Me sinto plena... mas não por inteiro.
Porque, como feitiço,
aquele pedaço do meu coração ainda pulsa, todavia longe de mim.